Com o avanço da geração distribuída no Brasil, cada vez mais consumidores investem em sistemas de energia solar conectados à rede, principalmente por meio do modelo de compensação de créditos. No entanto, um fenômeno recorrente vem chamando a atenção de muitos proprietários de usinas solares: os créditos de energia se acumulam na conta, e o cliente não sabe o que fazer com eles.
Neste artigo, vamos explicar de forma clara por que isso acontece, como os créditos funcionam, como transferi-los para outras unidades consumidoras e quais cuidados tomar para maximizar o aproveitamento da energia gerada.
Como funcionam os créditos de energia solar?
No sistema de compensação de energia da geração distribuída (Lei 14.300/2022, que substituiu a antiga REN 482/2012), o consumidor que gera mais energia do que consome em determinado mês recebe créditos em kWh, que podem ser usados nos meses seguintes ou destinados a outras unidades consumidoras do mesmo titular.
Esses créditos têm validade de até 60 meses (5 anos) e são lançados automaticamente pela distribuidora de energia na conta do cliente.
Por que os créditos se acumulam?
Existem vários motivos para o acúmulo de créditos solares, entre eles:
- Sistema superdimensionado: quando o sistema gera mais energia do que o consumo da unidade onde está instalado, mês após mês.
- Mudança no perfil de consumo: redução no uso de energia (por exemplo, férias, home office ou fechamento de empresas).
- Créditos não direcionados para outras unidades: muitos consumidores não sabem que podem compartilhar os créditos com outros imóveis.
- Limitações regulatórias: em alguns casos, nem todo o excedente pode ser compensado, como em contratos de minigeração ou com demandas específicas.
Com isso, é comum o cliente achar que está “economizando ao máximo”, quando na verdade está deixando de utilizar um potencial que já pagou e que está se acumulando sem uso.
Como transferir créditos para outra unidade?
A boa notícia é que os créditos de energia solar podem ser usados para abater o consumo de outras unidades consumidoras, desde que:
- Todas as unidades estejam no nome do mesmo CPF ou CNPJ
- As unidades estejam dentro da mesma área de concessão da distribuidora
- Seja feito um cadastro de “unidades consumidoras compensadoras” junto à distribuidora
Esse modelo é chamado de autoconsumo remoto e pode ser feito tanto para residências quanto empresas. Por exemplo: uma empresa que tem uma usina solar instalada em sua sede pode abater o consumo de suas filiais ou depósitos. Da mesma forma, uma pessoa pode usar os créditos da casa de praia para reduzir a conta do apartamento na cidade.
Exemplo prático de comparação
| Situação | Créditos acumulados | Aproveitamento | Resultado |
|---|---|---|---|
| Usina gera 1.000 kWh/mês, mas a casa consome só 600 kWh | 400 kWh acumulam todo mês | Sem uso adicional | Em 5 anos, 24.000 kWh podem expirar sem uso |
| Mesmo caso, mas com uma segunda unidade cadastrada que consome 400 kWh | Créditos são compensados automaticamente | 100% dos créditos utilizados | Economia financeira total nas duas contas |
Esse simples ajuste no cadastro faz toda a diferença no retorno do investimento em energia solar.
Como agir para evitar desperdício de créditos?
- Monitore sua geração e consumo mensalmente – use o app da distribuidora ou softwares de monitoramento do inversor solar.
- Reavalie o dimensionamento do sistema – se você consome menos do que o previsto, talvez o sistema esteja gerando em excesso.
- Cadastre outras unidades para compensação – entre em contato com sua distribuidora e solicite o formulário de autoconsumo remoto.
- Evite deixar créditos expirarem – se você não puder utilizá-los em outra unidade, pense em aumentar o consumo com novos equipamentos ou ampliar o uso (ex: carro elétrico).
- Busque ajuda profissional – um engenheiro elétrico ou empresa especializada pode ajudar a gerenciar os créditos e otimizar seu uso.
Conclusão
Acumular créditos de energia solar não é sinônimo de economia máxima, mas sim de desperdício potencial. Muitos consumidores deixam de aproveitar um recurso valioso por falta de informação ou orientação adequada.
Felizmente, o modelo de compensação no Brasil permite que você reaproveite esses créditos em outras unidades, aumentando a economia e acelerando o retorno do investimento.
Se você gera mais do que consome, considere distribuir essa energia para outros imóveis da sua titularidade. É simples, legal, e pode transformar créditos parados em uma redução real nas contas de luz.




